O treino animal e a Pseudociência—Raciocínio crítico

Eu escrevi um artigo no início de 2016 intitulado “treino científico ou moralista”, onde referi alguns pontos que considero estarem cada vez mais a influenciar grandes massas sob uma premissa científica. Noutro artigo, contribui com a minha visão antrozoológica para classificar os vários grupos e sub-grupos de treinadores na atualidade. Recomendo a leitura antes de prosseguir.

Neste artigo vou analisar alguns assuntos discutidos com algum raciocínio crítico e certamente repetir assuntos de artigos anteriores, mas irei repetir-me sempre que eu verifique que a ciência anda a ser manipulada de forma a controlar grupos. As lutas tribais atuais estão concentradas em “likes”, partilhas e comentários nas redes sociais, e os grupos necessitam de ser alimentados, seja por ideologias, moralismos ou falácias, a maioria deles pelo narcisismo, esquizofrenia virtual do(s) autor(es) e/ou pela necessidade de promoção pessoal como uma terapia para a própria insegurança. E para piorar, temos o condicionamento social que é feito através de grupos, o próprio julgamento prévio sem o interesse de pesquisar mais sobre o assunto, o seguirem as opiniões de outros, criticarem e condenarem textos ou pessoas sem lerem ou procurarem validade factual junto dos mesmos. Estudos demonstram a influência das redes sociais no cotidiano do utilizador, inclusive no aumento do stress. Estarmos prisioneiros a grupos impede-nos de pensar, certamente por isso somos uma espécie fácil de adestrar.

A própria indústria pet (em crescente expansão) influencia cada vez mais a sociedade, tanto as famílias como os profissionais. Criam necessidades, apresentam estudos encomendados e alimentam uma ignorância comercialmente necessária, onde as pessoas não sabem ao certo porque adquirem ou se realmente necessitam adquirir mas é-lhes dito que serão pessoas melhores se o fizerem. Vendem design e não conhecimento. De momento vários estudos muito vagos sobre cães andam a enfatizar os benefícios de ter cães, e a cegueira social nunca questionou o porquê de tanto ênfase.

Se o tal do “bem-estar” animal, palavra essa tão banalizada mas que comercialmente tem bastante sucesso, questiono-me porque será que ainda não foi efetuado um estudo do número crescente de problemas comportamentais dos cães nos últimos 15 anos decorrentes dos cães estarem cada vez mais dentro de casa, em ambientes artificiais e com as famílias a implementarem constantemente modelos de antropomorfismo e babymorphism? Um pouco incoerente se verificarmos todas as “ofertas” atuais de mercado. Não estou a condenar esta indústria, apenas a banalização comercial factual que a mesma está a tornar-se.

O cão no momento é um mero objeto exatamente como antes, mas agora camuflado sob a premissa de “utilidade social para os humanos”.

Eu também questiono por que não existe um estudo global de bem-estar em animais usados para fins sociais? Segundo especialistas, os cães deveriam ser usados em ações sociais dentro de um limite ético, mas que limite? O senso comum? Desculpem-me, mas eu rejeito retórica. Eu não estou a condenar esta indústria, apenas sim a banalização comercial que está a tornar-se e que não favorece nem os detentores nem os animais de companhia.

As pessoas preferem comprar um brinquedo de 50€ porque “dizem que funciona” do que comprar um livro de 10€ que poderá ajudar a entenderem melhor seu animal de companhia e proporcionar-lhe uma vida dentro de suas necessidades individuais naturais, onde esse brinquedo certamente nem seria necessário.

O mesmo para os treinadores de cães, que preferem aprender em seminários ou cursos teóricos de poucos dias e acreditarem em todo romantismo passado sem o interesse de lerem um livro científico, estudar a realidade científica, os seus reais conceitos, definições, aplicações e praticarem com o maior número possível de cães para desenvolverem o seu próprio método de treino, tendo a noção da realidade prática e continuarem diariamente a pesquisar e a estudar cada vez mais. Assumirem um papel de “caça diplomas” apenas estão a enganar-se a eles próprios e a quem possam ensinar.

Esta visão antrozoológica sobre o assunto pode parecer muito fria ou de palavras duras, mas é simplesmente uma visão antropológica, sociológica e acima de tudo zoológica de uma espécie que negamos ser apenas mais uma neste planeta. E tudo começa por aí. Tentamos suavizar os nossos comportamentos de uma forma moralística, negando a ciência que nos caracteriza de animais que somos.

O que vou apresentar neste artigo não são julgamentos, são factos científicos sobre a realidade, a maioria das vezes “romantizada” ou ignorada por não seguir os nossos ideais. Certamente nem todos vão concordar, mas há que separar as nossas opiniões emocionais da factualidade científica atual. E deixo desde já o saudável desafio para ler este artigo com uma visão pragmática, duvidar de tudo o que possa ser aqui escrito e pesquisar não só os artigos, estudos e referências científicas que serão aqui deixadas, como também outras literaturas puramente científicas e não opinativas.

Cabe a cada um decidir como pretende levar a sua vida pessoal/profissional, se adequar a realidade científica aos limites técnicos e éticos, ou simplesmente criar um mundo utópico e manipular a ciência para tentar confirmar determinadas teorias socialmente aceites. O processo científico em si não prova nada, a ciência pode na melhor das hipóteses “estar certa” sobre algo, podendo a todo o momento ser alterada consoante os resultados de novos estudos. Os estudos não provam, os estudos demonstram resultados estatísticos de determinada observação. O que hoje é A, amanhã pode ser B. O certo ou errado não existe nem pode existir na ciência. A ciência é o que é, baseada no estudo das evidências até agora apresentadas, não segue correntes, culturas ou opiniões pessoais. A ciência não tem culpa que a usem erroneamente. É nosso dever procurar fontes fidedignas quando estamos a trabalhar com outros seres vivos.

Neste artigo vou focar-me no treino dos cães por de momento ser o que mais falácias virtuais cria. Reparo que cada vez mais culpabiliza-se, descredibiliza-se e nega-se a etologia e o comportamentalismo pelos mais variados motivos ideológicos e argumentos implícitos para tão sérias afirmações.

Mas em primeiro lugar, e como gosto bastante de dicionários, é necessário definir o que vários conceitos que vou utilizar realmente significam. Alguns deles vou desenvolver nas análises aos variados argumentos:

A ciência é o conhecimento sistemático do mundo físico ou material adquirido através da observação e experimentação. A ciência é um processo, não uma conclusão.

A moral é o princípio que diz respeito à distinção entre comportamento correto e errado ou bom e mau.

A ética é um princípio moral ou um conjunto de valores morais detidos por um indivíduo ou grupo

A cultura é a adaptação biológica do gênero humano que tem propriedades ou características fundamentais que estão sujeitas ao mesmo algoritmo evolutivo, variação seletiva, retenção, transmissão. Baseia-se na natureza humana e é constrangida por ela.

Pensar é a atividade da mente que tenta fazer sentido dos acontecimento da vida, podemos pensar o que nos apetecer sem qualquer tipo de esforço, o que nos faz querer ou desejar algo.

Raciocinar é um processo que nos ajuda a aceitar ou rejeitar afirmações feitas por nós próprios ou pelos outros.

O pensamento dogmático caracteriza-se por uma aderência firme e cega a um certo conjunto de instruções.

O pensamento crítico reconhece e aprecia as diferenças contextuais e a sua complexidade, rejeitando conclusões prévias e aceitando conclusões mais adequadas.

Uma premissa é uma sentença declarativa que serve de base para um raciocínio, o que levará a uma conclusão.

Um argumento é um conjunto de várias premissas ou justificações que levam a uma conclusão. Este processo pode ser bom ou mau, mas nunca verdadeiro ou falso. Os argumentos podem ser explícitos (quando as premissas que levam à conclusão são todas declaradas) ou implícitos (quando as premissas que levam à conclusão são sub-entendidas). Estes últimos são muito utilizados a nível publicitário. Também podem ser classificados como válidos ou inválidos, fortes ou fracos, convincentes ou não.

Uma falácia é o erro na formulação de um argumento.

Uma opinião é a expressão de uma crença subjectiva ou uma tomada de posição sobre um determinado assunto, nem sempre assentada em premissas verdadeiras, e a maioria das vezes assentada em motivos emocionais ou pressões sociais.

A retórica é a arte de falar e convencer os outros sem ter em consideração a verdade das premissas.

Vamos agora analisar algumas afirmações:

“A etologia criou a teoria da dominância dos cães”.
Esta afirmação é bastante utilizada atualmente e por isso quero analisá-la em primeiro lugar. A primeira pergunta que eu faço sob esta afirmação é: O que é a etologia?

A etologia é o estudo do comportamento animal no seu ambiente natural. A abordagem da etologia difere dos métodos utilizados noutras ciências do comportamento, por exemplo, a etologia explica o comportamento baseado na sua função e causa. A psicologia explica os comportamentos através de processos fisiológicos ou mecanismos de aprendizagem e cria ambiente artificiais ou controlados para estudá-los. A etologia estuda o comportamento do animal no seu ambiente natural e descreve o comportamento como a seleção natural o moldou e desenvolveu variações. Embora os princípios possam parecer os mesmos, as abordagens utilizadas determinam o resultado dos seus objetivos. Através da sua abordagem, a etologia permitiu a elaboração de etogramas de várias espécies, sendo a matriz essencial para o estudo das mesmas, incluindo os cães.

Nos últimos anos, o interesse pelas emoções dos animais aumentou devido à evolução da neurociência afetiva.

De referir que nos humanos, as emoções são um despertar do estado do corpo, acompanhado de comportamentos característicos e sentimentos internos particulares. Nos restantes animais, a forma de como o comportamento é demonstrado difere de cada espécie e indivíduo, sendo assim perigoso tentar utilizar a emoção como uma abordagem generalista para explicar determinado comportamento.

A segunda pergunta que faço sob esta afirmação é: De onde surgiu a teoria da dominância dos cães? Esta pergunta vai dividir-se em duas outras perguntas, a primeira, o que é a dominância? E a segunda, o que é a teoria da dominância dos cães?”

Para a primeira sub-pergunta: Dominância não é uma característica ou traço de personalidade, é um comportamento. E o que é um comportamento dominante e como a dominância pode influenciar a interação da espécie?

O comportamento dominante é um comportamento quantitativo e qualitativo apresentado por um indivíduo com a função de obter ou manter acesso temporário a um recurso em particular, numa ocasião em particular, versus um oponente em particular, sem existir qualquer tipo de injúria entre as partes. Se entre qualquer uma das partes ocorrer injúria, o comportamento é agressivo e não dominante. As suas características quantitativas variam de ligeiramente auto-confiante a completamente auto-confiante (Abrantes, 1997).

O comportamento dominante é particularmente importante para animais sociais que necessitam de co-habitar e cooperar para sobreviver. Portanto, uma estratégia social específica evoluiu com a função de lidar com a concorrência entre companheiros, enquanto confere um maior benefício ao menor custo.

A dominância regula a agressão em sociedades animais com altas taxas agonísticas, favorecendo o estabelecimento de relações hierárquicas para preservar a homeostase social (Elkins, 1969). Hierarquias sociais variam de espécie para espécie e nem sempre são lineares, principalmente em espécies afetadas com os efeitos de domesticação, por isso determinados termos como Alpha, foram demonstrados em variados estudos que não se aplicam nesse contexto específico em determinadas espécies, estando o lobo e o cão incluídos.

A partir da própria definição reparamos que outras palavras são utilizadas socialmente para substituir “dominante”, tal como “confiante”, curiosamente com o mesmo significado.

A partir daqui podemos começar a concluir que a etologia per se não criou qualquer tipo de teoria da dominância e é bem clara na sua definição, o que nos leva para a segunda sub-pergunta: O que é a teoria da dominância nos cães?

Essa teoria foi criada no mundo do treino canino baseada num modelo de lupomorfismo (lupomorphism), que sugere que as interações sociais entre os humanos e cães devem ser baseadas nas regras aplicadas na sociedade lupina, ou seja, uma rígida hierarquia feita pelos humanos que devem utilizar comportamentos baseados na sociedade lupina. Contudo, este modelo embora ainda em uso no treino de cães, começou a ser desacreditado depois que o Dr. David Mech e a sua equipa com a evolução dos seus estudos, mostraram que o uso do termo “alpha” num estudo com lobos em cativeiro foi usada de forma errônea a partir do momento que os estudos mostraram que os lobos não possuem uma hierarquia tão rígida conforme se pensava antes, mas NUNCA rejeitou que a dominância não existe nos lobos ou que é errado utilizar o termo “alpha” em algumas situações (página 8). Aliás, um estudo efetuado no comportamento social entre os cães demonstrou que as interações dos cães são menos estabilizadas do que as interações entre os lobos (Feddersen-Petersen, 1991)

Isto leva-nos a outra afirmação: “Os cães não são lobos, seria como comparar os humanos com os macacos e por isso eles não formam grupos”.

A primeira parte da afirmação “Os cães não são lobos (…)” é facilmente comprovada a nível taxonómico. Está correto.

A segunda parte “(…) seria como comparar os humanos com os macacos”, a nível evolucionário esta afirmação é um perfeito disparate e um insulto à comunidade científica. Primeiro, porque ao consultarmos a linha evolucionária dos lobos-cães com macaco-homem tanto num aspecto paleo-antropológico como num aspecto evolucionário reparamos que milhões de anos separam ambos com as complexas variáveis e ancestrais comuns envolventes em ambas as evoluções. E segundo, com esta afirmação é criada uma incoerência argumentativa enorme que revela uma perfeita ignorância sobre o assunto e pode desacreditar à priori todas as afirmações anteriores.

A última parte da afirmação “(…) eles (cães) não formam grupos” tem sido amplamente utilizada pelo mundo. As minhas questões: O que é um animal social? O que é comportamento social?

Um animal social, em biologia, é um organismo que é altamente interactivo com outros membros da sua espécie ao ponto de terem uma sociedade distinta e reconhecível.

O comportamento social é definido como interações entre indivíduos, normalmente dentro da mesma espécie, que geralmente são benéficas para um ou mais indivíduos.

Outra questão: Podemos assim afirmar que o cão é o único animal social do mundo que não forma qualquer tipo de grupo a partir das suas interações sociais?

Uma rápida pesquisa em fontes fidedignas forneceu variados estudos efetuados desta temática. Neste meu artigo compilei uma série de estudos e artigos científicos de cientistas que passaram/passam décadas a estudar o comportamento canino e que suportam tudo o que foi escrito acima.

Sobre o comportamentalismo
As recentes críticas do comportamentalismo têm como afirmação: “O comportamentalismo é mau porque castiga os animais e muitos treinadores o utilizam para isso”.

Este argumento é falacioso, emocional e moralista. E vamos analisar o porquê da sua inconsistência.

Novamente, estamos a culpar a ciência pela sua suposta aplicação prática e a utilizar vários termos sem o conhecimento real das suas definições.

O que é o comportamentalismo?
É uma teoria ou conjunto de métodos de investigação na área da Psicologia que pretende estudar o comportamento com base na observação e análise de estímulos e reacções, em detrimento da introspecção e da consciência. Assume que todos os comportamentos são reflexos produzidos por uma resposta a certos estímulos do ambiente, ou uma consequência da história desse indivíduo, incluindo especialmente reforço e punição, juntamente com o estado motivacional atual do indivíduo e os estímulos de controle. Tem como bases o comportamentalismo radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento. Temos como principais desenvolvedores J.B Watson, I.P. Pavlov, E. Thorndike e B.F Skinner.

Às experiências onde o comportamento era aumentado ou reduzido pelas consequências, Skinner chamou de aprendizagem operante, porque o comportamento atua no ambiente. Skinner identificou assim quatro tipos de procedimentos operantes: dois que reforçavam/aumentavam o comportamento (reforço) e dois que diminuíam/inibiam o comportamento (inibidor).

Um reforço é tudo o que aumenta a frequência, intensidade e/ou duração de um determinado comportamento quando apresentado (+) ou removido (-) em simultâneo ou imediatamente a seguir ao comportamento apresentado.

Um inibidor (popularmente conhecido castigo/punição) é tudo o que diminui a frequência, intensidade e/ou duração de um determinado comportamento quando apresentado (+) ou removido (-) em simultâneo ou imediatamente a seguir ao comportamento apresentado. O termo “inibidor” foi introduzido em 2012 pelo Dr. Roger Abrantes no seu livro “Os 20 princípios que todos os treinadores de animais devem conhecer”.

Nas definições científicas, assim como em toda a ciência, não há conotações negativas ou positivas dos termos. Tudo depende da aplicação. E é na aplicação de reforços e inibidores onde existe a maior discussão. Os reforços e inibidores estão sempre sujeitos a três condições distintas: Ao indivíduo, ao comportamento e ao momento, e devem ser aplicados na qualidade e intensidade certa. Não devem ser generalizados de uma forma mecânica como se de uma verdade absoluta se tratasse.

No treino animal, utilizam-se expressões como recompensar o cão ou punir o cão, expressões essas errôneas, porque não estamos a recompensar ou punir indivíduos, mas sim a reforçar ou inibir um comportamento. Neste meu artigo eu desenvolvo este assunto mais sucintamente, recomendo a leitura.

Por outro lado, não existe um consenso de termos do que estamos a ensinar ao cão e como o estamos a ensinar. Esta falta de precisão não é por culpa da ciência, porque ela é bem clara do que utilizamos, ou sinais, indícios ou comandos.

Um sinal é tudo o que intencionalmente causa a alteração do comportamento do receptor.

Um indício (Cue) é tudo o que de forma não-intencional causa a alteração do comportamento do receptor.

Um comando é um sinal que causa a alteração do comportamento do receptor de uma forma especifica sem variação ou com uma variação extremamente mínima.

Neste meu artigo escrevo e demonstro na prática vários exemplos de como devemos ser claros, simples e precisos na comunicação inter-espécie, com as técnicas adequadas (respeitando a espécie) à programação do próprio ensino.

O que podemos então concluir?

O problema central não está na ciência, que é muito clara nas suas definições, mas sim nas aplicações práticas de determinadas pessoas, utilizando a pseudociência tanto para tentar afirmar como para negar, tendo a vantagem da maioria das pessoas que absorvem essa informação não vão pesquisar e limitam-se ao que possam ler ou ouvir nas redes sociais, blogs ou opiniões de pessoas por muito famosas que possam (querer) ser.

Os estudos científicos devem ser acima de tudo um controle de qualidade para o profissional, não interessando o tempo de experiência. O tempo de experiência é irrelevante. O tempo de prática significa aplicar os conhecimentos e (às vezes) aprimorá-los, o que significa que pouco pode mudar e apenas estamos a alimentar o que achamos certo, mesmo que possa ser conotado de errado ou vice-versa.

Em parte posso entender a evitação em falar de certos assuntos por tão negativos eles estão conotados, mas a grande maioria das pessoas que evitam não sabem o seu real significado, resultado de todos os condicionamentos sociais acima escritos. Eu defendo o real conhecimento e que cada pessoa, como indivíduo, faça as suas decisões pessoais e profissionais sem incoerências ou pressão social.

O gostar de animais não deve ser um requisito único para o treino animal. A noção de estarmos a comunicar com uma espécie diferente dá-nos a responsabilidade de procurar cada vez mais informação científica (fidedigna) com uma visão pragmática em tudo, de forma a procurarmos ainda mais e não cairmos no erro de acreditar em tudo o que lemos ou ouvimos dos outros. Estimular os comportamentos naturais da espécie e não os condicionar às vontades e pressões sociais deve ser o principal.

Não seja o que a sociedade quer, nem ceda às suas pressões. Respeite as outras espécies e comunique com elas não por oposição, mas porque existe um feedback natural entre vocês. O conhecimento é uma ferramenta poderosa e é gratuita. A falta de conhecimento é caríssimo. Nosce te ipsum.

Referências de leitura complementares recomendadas

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Autor: Roberto Barata

Ethology Institute Tutor and administration staff member; Instructor and Researcher in Applied Mentoring and Anthrozoology in Animal Behavior and Training field.