O som dos pássaros

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Os humanos são os animais mais barulhentos que conheço. Nunca uma comunicação verbal teve tanto ruído. Ruído esse que origina uma quantidade de características inusitadas, adaptadas cada vez mais às exigências sociais conforme eu escrevi neste artigo.

No artigo em que fiz a apresentação deste projeto, mencionei que sempre fui uma pessoa de poucas palavras, talvez por isso sou tão observador e é no silêncio e sons naturais que encontro a paz.

Sempre utilizei as minhas características inatas no treino animal, sobretudo no silêncio e observação. Ao longo destes anos, venho a comprovar diariamente que a ciência cada vez mais demonstra a eficácia do uso correto de sons na comunicação interespecífica. Antes disso, fazia a experiência de “falar” apenas quando estritamente e se realmente necessário. O resultado não consegue ser melhor. A fluidez da comunicação é espantosa.

Sons acima do desejado para a situação que podem até ter uma função de inibidor podem não ser eficazes. Os animais não seguem os nossos egos de “advertência”(que eu considero frustrações) e as associações não seguem o nosso padrão humano de exigência. Tudo é simples se fizermos o esforço de simplificar.

Toda esta aprendizagem e experiência ao longo destes anos foi se acumulando em espaços externos, com os sons habituais. Geralmente treinava em jardins ou florestas com os cães e seus donos, onde a abundância de aves e a sua comunicação característica era o nosso plano de fundo. Reparava também que sons mais elevados dos donos com os cães de nada serviam e apenas tornavam a comunicação mais difícil, além de perturbar o ambiente.

Assim, eu adotei o princípio do “som dos pássaros”. Esse princípio tem como base: “Todo e qualquer som humano produzido e repetido além do desejado em determinado momento que oculte os sons naturais de fundo e não produza qualquer comportamento desejado da outra espécie, significa que essa comunicação tem uma barreira natural que deve ser ultrapassada com o silêncio”.

Desta forma, recomendo sempre a todos os participantes que para se comunicarem não precisam gritar, apenas utilizarem o som num volume adequado para a situação em questão. Na duvida, não fale.

A partir de hoje, tenha em atenção o som natural do ambiente ao seu redor e respeite-o. Boa comunicação!

O resultado pode ser visto no vídeo de apresentação “Teach without Speech” e nos vídeos seguintes.











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Autor: Roberto Barata

Certified in Advanced Applied Ethology, Expert in Human Animal Studies, Animal Trainer, Researcher and "Teach without Speech" project author.