Introdução — Comportamento & Comunicação animal descodificada

Este artigo não está completo, o texto completo poderá ser encontrado no manual “Teach without Speech”. Lançamento em breve.

Os momentos em que temos a oportunidade de comunicar com os animais são mágicos e devem ser respeitosos. Nem sempre temos a honra de ter uma comunicação clara com outra espécie. Tendo comunicação, temos tudo. A linguagem traduz estados emocionais. Então, é necessário primeiro entender para realmente observar. Eles merecem.

Nos Humanos, é possível reconhecer 44 unidades de ação que são anatomicamente individualizáveis ​​e visualmente distintas, que a partir de suas inúmeras combinações, matrizes e possíveis conjugações, todo o jogo complexo do rosto é modelado.

Ekman e Friesen (1978) foram os primeiros cientistas que exploraram o Sistema de Codificação de Ação Facial (FACS), geralmente chamado de microexpressões. Tudo isso aliado à filogenética dos comportamentos.

Noutras espécies, só agora alguns estudos e pesquisas são avançados e é incrível como podemos explicar e talvez no futuro prever alguns comportamentos.

Comportamento & Comunicação animal descodificada (Animal Behavior & Communication Decoding (ABCD)) é um sistema que eu desenhei para usar nas minhas sessões de treino animal, tentando estabelecer um padrão de comportamentos que podem prever os comportamentos seguintes. Ao mesmo tempo, efetuo a pesquisa contínua de como a linguagem corporal de diferentes espécies pode interferir na comunicação e produzir ou condicionar alguns comportamentos..

Tenho a certeza absoluta de que com uma abordagem científica sólida no comportamento animal aliado aos últimos estudos sobre comunicação inter-espécies, será possível num futuro próximo melhorar a comunicação, compreensão e aprendizagem entre diferentes espécies com uma precisão nunca antes imaginada.

Diagrama básico da comunicação não-verbal
Comunicação sem sons, só com linguagem corporal.

Em 2008, eu idealizei uma coleira de monitoramento animal, que permitisse ser utilizada para fins científicos, desportivos, operacionais e sociais. Algo impossível de efetuar na altura. Em 2014 registei todo o meu projeto. Tentei sem sucesso o apoio de alguma empresa que quisesse aprofundar esse assunto. Sete anos depois vejo com alegria que tinha razão em relação ao futuro, e algumas universidades internacionais estão empenhadas em projetos similares, mas ainda não com a total essência das inúmeras funções que podemos utilizar para o bem-estar animal. Com essa coleira, seria possível ter um algoritmo específico para este meu sistema, acelerando assim todo o processo de pesquisa que estou a fazer.

O meu projecto de coleira animal.

Numa primeira etapa, usei todos os estudos mais recentes sobre o assunto. Sobre o Sistema de Codificação de Ação Facial (FACS), já adaptado para outras espécies, como chimpanzés (Vick et al., 2007), macacos (Parr et al., 2010) e gibbons (Waller et al., 2012), cães (Waller, B.M., Peirce, K., Caeiro, C.C., Scheider, L., Burrows, A.M., McCune, S., & Kaminski, J., 2013), gatos e cavalos.

FACS de gatos, cães e cavalos. Créditos nas referencias.

Numa segunda etapa, usei todos os etogramas disponíveis de algumas espécies, conforme o exemplo abaixo.

Canine Ethogram — Roger Abrantes

Esta pequena introdução irá mostrar o guia padrão deste sistema, que deve ser complementado com uma análise de pesquisa específica (medição de comportamento).

Etapas das pesquisas.

Definindo conceitos
Design da pesquisa (RD) — Todos os tópicos e etapas planeadas para esta pesquisa.
Checklist de observação (OC) — Uma lista de procedimentos para a observação planeada.
Espécie a estudar (SS) — A espécie que iremos colectar informações.
Etograma da espécie (SE) — Lista com os comportamentos normais da espécie.
Facial Action Coding System (FACS) — Um sistema de codificação baseado anatomicamente para a medição científica de movimentos faciais e expressões faciais em seres humanos. Pode ser feito para todas as espécies.
Ambiente presente (PE) — O registro de todos os estímulos ambientais em detalhe no momento que eu observo e que não seria possível planear no RD.
Comportamento Um (b1) — O primeiro comportamento apresentado na situação específica.
Erros de informação do comportamento (BED) — Todas as variações de comportamento derivadas das condições presentes.
Informação dos antecedentes do comportamento (BAD) — Todos os antecedentes passados que possam originar variações do comportamento apresentado.
Comportamento Dois (b2) — A soma de b1+BED+BAD
Comportamentos seguintes (b3, b4,…) — A soma dos comportamentos passados e dos novos comportamentos aobservados.

Observação Standard do ABCD:
1. SSF (SS+SE + FACS)
2. RD
3. OC
4. PE
5. Início da Observação
6. B1 (Registo de BED+BAD)
7. B1+PE=B2
8. B2 (Registo de BED+BAD)
9. Fim da observação
10. Seguir RD

DogFACS Sample

Todos os detalhes específicos e adicionais estarão presentes com o progresso dos estudos. Todos os cientistas e treinadores de animais são muito bem-vindos para usar este sistema e melhorar conforme necessário. Todos os créditos das atualizações serão adicionados.







Este artigo seria publicado num livro com fins comerciais. Mas, queremos abranger mais profissionais e famílias com informações atualizadas e reais, dessa forma o conteúdo está a ser divulgado gratuitamente. Se acredita neste projeto, faça uma contribuição voluntária à sua escolha para que possamos continuar com as publicações gratuitas. Se for uma empresa e pretende ter um papel ativo neste projeto, contate-nos.

Referências
ABRANTES, R. (1997). The Evolution of Canine Social Behavior. Wakan Tanka Publishers.

ABRANTES, R. (1997). Dog Language. Wakan Tanka

ABRANTES, R. (2011) Dominance—Making Sense of the Nonsense

BEAVER, V. Bonnie (2003). Feline Behavior: A Guide For Veterinarians, Second Edition. Elsevier.

BUDIANSKY, Stephen (1997). the Nature of Horses, Their Evolution, Intelligence and Behaviour. Weidenfeld & Nicolson.

CAEIRO, C.C, Waller, B.M, Burrows, A.M. (2013). CatFACS

CHANCE, P. (2008) Learning and Behavior. Wadsworth-Thomson Learning, Belmont, CA, 6th, ed.

DARWIN, C. (1899). The Expressions of the Emotions in Man and Animals. New York D. Appleton and Company.

EKMAN, P. (1976). Nonverbal Communiction: Movements with Precise Meanings. Journal of Communication, 26(3),14-26.

EKMAN, P. & ROSENBERG, E. L. (2005). What the face reveals : basic and applied studies of spontaneous expression using the facial action coding system (FACS) — 2nd ed. Oxford University Press, Inc.

HOROWITZ, Alexandra. (2014). Domestic Dog, cognition and Behavior—The Scientific Study of Canis familiaris. Springer.

LORENZ, Konrad. (1981). The foundations of ethology.
Based on a translation of Vergleichende Verhaltensforschung, with revisions. Springer Science+Business Media New York.

MARTIN, P., Bateson, P. (2007). Measuring Behavior, An introductory guide. Cambridge University Press.

MCFARLAND, D. (1998). Animal Behaviour. Benjamin Cummings. 3rd ed.

MIKLÓSI, Ádám. (2007). Dog Behaviour, Evolution, and Cognition. Oxford University Press.

MORRIS, D. (2002). PeopleWatching. Vintage Books.

SANNI Somppi, Heini Törnqvist, Miiamaaria V. Kujala, Laura Hänninen, Christina M. Krause, Outi Vainio. Dogs Evaluate Threatening Facial Expressions by Their Biological Validity – Evidence from Gazing Patterns. PLOS ONE, 2016; 11 (1): e0143047 DOI: 10.1371/journal.pone.0143047

SCHIRMER A, Seow CS, & Penney TB (2013). Humans process dog and human facial affect in similar ways. PloS one, 8 (9) PMID: 24023954

SKINNER, B. F. (1966). The phylogeny and ontology of behavior, Science, 153,1205-1213.

STRICKLIN, W.R. (2000). ANSC 455 Applied Animal Behavior. Department of Animal and Avian Sciences.

SZÉKELY, T. (2010). Social Behaviour, Genes, Ecology and Evolution. Cambridge University Press.

WALLER, B.M, Caeiro, C., Peirce, K., Burrows, A.M, Kaminski, J. (2013). DogFACS

WATHAN J, Burrows AM, Waller BM, McComb K (2015). EquiFACS: The Equine Facial Action Coding System. PLoS ONE 10(8): e0131738. doi:10.1371/journal.pone.0131738

A precisão dos sinais do treino animal

Este artigo não está completo, o texto completo poderá ser encontrado no manual “Teach without Speech”. Lançamento em breve.

O treino animal deve ser uma comunicação clara e precisa entre espécies. É importante respeitar e entender as espécies que estamos a treinar.

Este pequeno artigo demonstra como os sinais simples e precisos são efetivos com calma e respeito com cães.

Em primeiro, algumas informações básicas.

Comunicação canina
– Os cães comunicam maioritariamente por sinais visuais.
– Demonstram uma mímica e linguagem corporal sofisticada.
– São excelentes observadores da nossa linguagem corporal.

Comportamento
– Resposta a um estímulo.
– Influenciado pelo ambiente.
– Varia consoante as consequências.

Aprendizagem
– Processo de modificar comportamentos.
– Aprendizagem não-associativa.
– Aprendizagem associativa (Condicionamento clássico e operante).

Definições
– Um sinal é tudo o que intencionalmente causa a alteração do comportamento do receptor.
– Um indício (Cue) é tudo o que de forma não-intencional causa a alteração do comportamento do receptor.
– Um comando é um sinal que causa a alteração do comportamento do receptor de uma forma especifica sem variação ou com uma variação extremamente mínima.

Sobre os sinais:
– Um sinal tem um significado e uma forma.
– Bons sinais são eficazes.
– Maus sinais são ineficazes.
– Os sinais visuais são melhores quando o cão está relativamente perto de nós, e sinais sonoros tendem a ser melhores quando o cão está longe.

Numa forma prática:
– SMAF – Acrónimo de Signal Meaning and Form (Sinal, Significado e Forma).
– SMAF é uma linguagem científica para treino preciso criada pelo Dr. Roger Abrantes.
– Para cada técnica treinada, além de outros tópicos, precisamos de um Plano de Ação (P.O.A) com a descrição precisa dos sinais.

Exemplos de técnicas padrão:
Para simplificar, vou escrever uma única linha com a Técnica a ensinar => O significado do sinal => A forma do sinal.

Nome(Técnica) => Olha para mim(Significado) => Nome,som(Forma)

Senta(Técnica) => Coloca o traseiro no chão
E mantêm-o lá até receberes
outro sinal(Significado) => Senta,som + Senta,mão(Forma)

Deita(Técnica) => Coloca a barriga no chão
E mantêm-a lá até receberes
outro sinal(Significado) => Deita,som + Deita,mão(Forma)

Sim(Técnica) => Continua(Significado) => Sim,som(Forma)

Não(Skill) => Pára(Significado) => Não,som(Forma)

Técnicas Senta e Deita por um jovem treinador. 

Técnica Sim—Não com um cachorro de dois meses e meio. 

A importância de ter uma linguagem clara e simples.

Exemplos de precisão nos sinais.

Pode aprender mais sobre este assunto através dos cursos e livros sobre o assunto no Ethology Institute Cambridge em língua portuguesa — Dr. Roger Abrantes:
Manual SMAF
Os 20 Princípios que todos os treinadores de animais devem conhecer
Treino animal — A minha maneira







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Teach without Speech – Introdução

English Version here

O projeto “Teach without Speech” é um dos desafios mais difíceis que já tive em todo o meu percurso profissional. Levou-me a lembranças que eu já pensava estarem bem esquecidas. Qual o modelo de mensuração eu teria de fazer para partilhar o conhecimento que fui adquirindo ao longo de vários sacrifícios pessoais e profissionais?

Desde 2004, ainda antes de muitos programas de televisão e do Youtube para ajudar a formar treinadores que eu a nível particular iniciei a dar aulas de treino sem nenhuma formação específica. Li um pouco, e iniciei. Apenas senti que tinha de iniciar. Uma irresponsabilidade na altura na minha visão actual, mas tinha que começar por algum lado.

Por natureza sou uma pessoa calada e primorizo o meu espaço pessoal, certamente por isso sempre tentei comunicar com os animais a falar o mínimo possível e a respeitar o seu espaço. São os princípios básicos da natureza. Ao vermos os animais no seu ambiente natural, reparamos que os sons são utilizados quando estritamente necessários, existindo uma prioridade à linguagem corporal e o uso do próprio ambiente para uma clara comunicação. Utilizava a comida apenas como uma ferramenta e não como algo fundamental para o treino, não estabeleço relações baseadas em comida. Complementava com um plano de treino que me fazia ter o número correto de petiscos para o número de repetições, não queria criar condicionamentos a lugares específicos do meu corpo. Após estes anos, reparo que utilizo a mesma ou ainda menos quantidade de comida do que antes em contraste com as novas gerações.

Entretanto, nesse ano entrei na Força aérea Portuguesa na especialidade de Polícia Aérea e sub-especialidade na cinotecnia para guarda e defesa. Foram um dos melhores anos da minha vida. Não só a nível profissional como pessoal. Profissional devido ao espírito de camaradagem e valores passados pelos “mais velhos”, pessoal porque foi uma transição abrupta de um “berço de ouro” passado para realidade da vida.

Sempre continuei a estudar e a valorizar-me no ponto de vista profissional transversalmente aos ensinamentos militares e de outros locais onde trabalhei, porque sempre acreditei que seria com a prática que mudaríamos a teoria, mas nalguns regimes nem sempre isso é permitido.

Após várias frustrações, desilusões e rebaixamentos, arrisquei toda a minha vida pessoal e profissional numa última oportunidade de continuar a fazer o que sempre gostei. Esta mudança permitiu-me valorizar quem acreditava em mim, investir no que realmente interessava na vida e colocar de parte tudo aquilo que apenas era um peso desnecessário. Resumi a minha vida a duas bagagens de mão e viajei para a Dinamarca para aprofundar os meus conhecimentos, ter a liberdade necessária para seguir os meus princípios e intuição e ao mesmo tempo trabalhar com o Ethology Institute e com o etologi.dk. Nunca haverão palavras para descrever o agradecimento da confiança e profissionalismo do Dr. Roger Abrantes, Tilde Detz Jensen e de toda a equipa do Ethology Institute e etologi.dk. Foi no Ethology Institute que encontrei as respostas científicas ao que eu já fazia, sempre fui um estudante do instituto e não sabia. Nem sempre as melhores decisões são as mais fáceis. Escute e confie na sua intuição, é a sua essência a falar.

Durante esse tempo até actualmente, muitos cães e pessoas diariamente cruzaram a minha vida. Várias situações infelizmente não consegui a colaboração necessária das famílias, outras sinto hoje que foi devido à minha limitação de conhecimentos. Não sabemos tudo, não conseguimos saber tudo.

Neste meio tempo, formei-me numa nova área que suscitou-me bastante interesse e é nela que atualmente dedico-me e integro-a a 100% no meu trabalho: Antrozoologia.

A Antrozoologia ou Human—Animal Studies em linhas gerais é o estudo da interação entre os humanos e os não-humanos. Abrange uma considerável diversidade de áreas de estudo, onde destaco: etologia, antropologia, zoologia, biologia, psicologia comparativa, sociologia e primatologia. Este é o meu mundo, da complexidade, dos paradoxos, enfim, o mundo humano.

Este certamente é o primeiro projeto no mundo que vai abordar esta área integrada no treino animal, complementado pela codificação facial, micro-expressões dos animais num contexto científico e por um conjunto de técnicas diárias específicas que podem ser utilizadas por todos.

Todo este aprendizado até hoje faz com que esta minha pequena visão possa de certa forma auxiliar os vários profissionais da área, quem está a começar a actividade, e as famílias com animais domésticos. Elas serão os treinadores dos futuros.

O nosso papel futuro será apenas de coaching, contrariando a antiga moda de treino de animais “chave na mão”. Sem a presença das famílias, cortamos o elo importante desta maravilhosa comunicação. A sociedade está a ficar mais curiosa e participativa na educação dos seus animais, algo fabuloso e evolutivo, que vai fazer com que os coach tenham uma sólida formação não somente em comportamento e aprendizagem animal, mas também em filosofia, etologia e na área mais recente: Antrozoologia. Necessitamos conhecermo-nos como animais primitivos antes de tentar conhecer outras espécies.

O papel de coach na educação social dos animais e das suas famílias pode ser um trabalho muito ingrato para alguns, porque não traz troféus, taças e na maioria das vezes reconhecimento. Por outro lado também não serão contentores de diplomas, demonstrações com cães próprios ou previamente selecionados ou com textos ou palavras socialmente aceites. Com esta mudança de paradigma, esses objectos humanos vão finalmente confirmar serem assuntos paralelos no tratamento e treino de seres vivos.

Estamos a trabalhar com o ponto mais sensível de uma sociedade: a sua mentalidade. Fazer crer a uma família que ele precisa mudar algumas rotinas nem sempre é fácil, entramos num paradoxo do “ele é um cão, tem de ser tratado como tal”, mas “não faço isso porque ele é como um filho para mim”.

Nos tempos atuais, a prioridade não é conhecermos as outras espécies, mas sim conhecermo-nos a nós próprios. A egoísta necessidade individual de presença na sociedade está a levar a um ambiente artificial no nosso habitat para todas as espécies, falácias moralísticas estão a embelezar palavras socialmente aceites e a desviá-las da realidade dos seus conceitos e aplicações seja por marketing ou simples ignorância. A necessidade da mudança está na evolução do nosso real conhecimento e não no encobrimento da realidade pela falta do mesmo. Não estamos a ajudá-las, estamos a médio prazo a extingui-las porque elas estão a sair da sua essência e a deixar de ser o que agora defendemos que elas são.

A comunicação interespecífica é muito mais do que entendimento, é uma viagem às nossas origens quando a sentimos profundamente sem as barreiras impostas pelos humanos.

Mais uma vez tenho a certeza que estes conflitos internos, as noites mal dormidas com a preocupação de um ou outro caso, de diariamente entender a falta de comunicação que existem não só entre pessoas e cães como também entre pessoas e pessoas, foi uma razão para a origem deste projeto.

A minha opinião em relação ao trabalho dos outros é de respeito, porque respeito e concordância segue o mesmo paralelismo da Ciência vs moralismo ou ética. Afinal, ninguém é igual, o que é maravilhoso. Não tente agradar em pensamentos ou ideologias, as pessoas já têm os seus interesses e de pouco valerá a sua sinceridade. Não se iluda com as ilusões dos outros.

O projeto “Teach without Speech” é o resultado de todos estes anos de estudo e experiência prática diária. Não pode ser considerado um método, mas sim um sistema de combinação de várias formas de abordagem no treino animal, adaptado a todas as espécies, embora eu faça mais ênfase a cães, gatos e cavalos, os quais trabalho diariamente. Não é apenas um projeto de conhecimento científico com os últimos estudos sobre as matérias faladas. É também uma reflexão que devemos fazer sobre os “oitos e oitentas” em que vivemos atualmente. A tentativa de muitos de lutar contra o antropomorfismo está a criar uma humanização incoerente sem que as pessoas o entendam.

De momento existe acima de tudo a necessidade da harmonia e equilíbrio entre espécies que vivem assustadas neste zoo humano.

O projeto “Teach without Speech” vai muito além de uma técnica ensinada. É o respeito e compreensão interespecífica na sua essência.

O projeto “Teach without Speech” não vai ensinar a treinar robôs, vai levar o leitor a uma introspecção real do que somos e de como agimos, e só após essa reflexão conseguiremos comunicar com outras espécies sem falácias ou imposições, apenas com conhecimento, compreensão e respeito.

Este projeto vai ter artigos que abordam alguns assuntos mais generalistas dos meus estudos e formas que criei para simplificar o entendimento no treino, e são complementados por workshops práticos, onde tenho a oportunidade de demonstrar e passar com mais detalhe e adaptação individual todo o sistema do “Teach without Speech” para as três espécies, tem sido bastante prazeroso trabalhar com particulares e empresas por todo o mundo, conhecer as culturas, respeitá-las e uni-las a toda esta matriz. Talvez com este início possamos no futuro estudar cada cultura social e fazer as adaptações necessárias.

Faço o convite e o saudável desafio para ler cada artigo que será publicado com a atenção que eles merecem e que nós necessitamos. Nosce te ipsum. Carpe Diem!

København, 2 de Junho de 2016







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