O som dos pássaros

English Version here.

Os humanos são os animais mais barulhentos que conheço. Nunca uma comunicação verbal teve tanto ruído. Ruído esse que origina uma quantidade de características inusitadas, adaptadas cada vez mais às exigências sociais conforme eu escrevi neste artigo.

No artigo em que fiz a apresentação deste projeto, mencionei que sempre fui uma pessoa de poucas palavras, talvez por isso sou tão observador e é no silêncio e sons naturais que encontro a paz.

Sempre utilizei as minhas características inatas no treino animal, sobretudo no silêncio e observação. Ao longo destes anos, venho a comprovar diariamente que a ciência cada vez mais demonstra a eficácia do uso correto de sons na comunicação interespecífica. Antes disso, fazia a experiência de “falar” apenas quando estritamente e se realmente necessário. O resultado não consegue ser melhor. A fluidez da comunicação é espantosa.

Sons acima do desejado para a situação que podem até ter uma função de inibidor podem não ser eficazes. Os animais não seguem os nossos egos de “advertência”(que eu considero frustrações) e as associações não seguem o nosso padrão humano de exigência. Tudo é simples se fizermos o esforço de simplificar.

Toda esta aprendizagem e experiência ao longo destes anos foi se acumulando em espaços externos, com os sons habituais. Geralmente treinava em jardins ou florestas com os cães e seus donos, onde a abundância de aves e a sua comunicação característica era o nosso plano de fundo. Reparava também que sons mais elevados dos donos com os cães de nada serviam e apenas tornavam a comunicação mais difícil, além de perturbar o ambiente.

Assim, eu adotei o princípio do “som dos pássaros”. Esse princípio tem como base: “Todo e qualquer som humano produzido e repetido além do desejado em determinado momento que oculte os sons naturais de fundo e não produza qualquer comportamento desejado da outra espécie, significa que essa comunicação tem uma barreira natural que deve ser ultrapassada com o silêncio”.

Desta forma, recomendo sempre a todos os participantes que para se comunicarem não precisam gritar, apenas utilizarem o som num volume adequado para a situação em questão. Na duvida, não fale.

A partir de hoje, tenha em atenção o som natural do ambiente ao seu redor e respeite-o. Boa comunicação!

O resultado pode ser visto no vídeo de apresentação “Teach without Speech” e nos vídeos seguintes.











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Referências
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SCHIRMER A, Seow CS, & Penney TB (2013). Humans process dog and human facial affect in similar ways. PloS one, 8 (9) PMID: 24023954

Introdução — Comportamento & Comunicação animal descodificada

English Version Here.

Os momentos em que temos a oportunidade de comunicar com os animais são mágicos e devem ser respeitosos. Nem sempre temos a honra de ter uma comunicação clara com outra espécie. Tendo comunicação, temos tudo. A linguagem traduz estados emocionais. Então, é necessário primeiro entender para realmente observar. Eles merecem.

Nos Humanos, é possível reconhecer 44 unidades de ação que são anatomicamente individualizáveis ​​e visualmente distintas, que a partir de suas inúmeras combinações, matrizes e possíveis conjugações, todo o jogo complexo do rosto é modelado.

Ekman e Friesen (1978) foram os primeiros cientistas que exploraram o Sistema de Codificação de Ação Facial (FACS), geralmente chamado de microexpressões. Tudo isso aliado à filogenética dos comportamentos.

Noutras espécies, só agora alguns estudos e pesquisas são avançados e é incrível como podemos explicar e talvez no futuro prever alguns comportamentos.

Comportamento & Comunicação animal descodificada (Animal Behavior & Communication Decoding (ABCD)) é um sistema que eu desenhei para usar nas minhas sessões de treino animal, tentando estabelecer um padrão de comportamentos que podem prever os comportamentos seguintes. Ao mesmo tempo, efetuo a pesquisa contínua de como a linguagem corporal de diferentes espécies pode interferir na comunicação e produzir ou condicionar alguns comportamentos..

Tenho a certeza absoluta de que com uma abordagem científica sólida no comportamento animal aliado aos últimos estudos sobre comunicação inter-espécies, será possível num futuro próximo melhorar a comunicação, compreensão e aprendizagem entre diferentes espécies com uma precisão nunca antes imaginada.

Diagrama básico da comunicação não-verbal
Comunicação sem sons, só com linguagem corporal.

Em 2008, eu idealizei uma coleira de monitoramento animal, que permitisse ser utilizada para fins científicos, desportivos, operacionais e sociais. Algo impossível de efetuar na altura. Em 2014 registei todo o meu projeto. Tentei sem sucesso o apoio de alguma empresa que quisesse aprofundar esse assunto. Sete anos depois vejo com alegria que tinha razão em relação ao futuro, e algumas universidades internacionais estão empenhadas em projetos similares, mas ainda não com a total essência das inúmeras funções que podemos utilizar para o bem-estar animal. Com essa coleira, seria possível ter um algoritmo específico para este meu sistema, acelerando assim todo o processo de pesquisa que estou a fazer.

O meu projecto de coleira animal.

Numa primeira etapa, usei todos os estudos mais recentes sobre o assunto. Sobre o Sistema de Codificação de Ação Facial (FACS), já adaptado para outras espécies, como chimpanzés (Vick et al., 2007), macacos (Parr et al., 2010) e gibbons (Waller et al., 2012), cães (Waller, B.M., Peirce, K., Caeiro, C.C., Scheider, L., Burrows, A.M., McCune, S., & Kaminski, J., 2013), gatos e cavalos.

FACS de gatos, cães e cavalos. Créditos nas referencias.

Numa segunda etapa, usei todos os etogramas disponíveis de algumas espécies, conforme o exemplo abaixo.

Canine Ethogram — Roger Abrantes

Esta pequena introdução irá mostrar o guia padrão deste sistema, que deve ser complementado com uma análise de pesquisa específica (medição de comportamento).

Etapas das pesquisas.

Definindo conceitos
Design da pesquisa (RD) — Todos os tópicos e etapas planeadas para esta pesquisa.
Checklist de observação (OC) — Uma lista de procedimentos para a observação planeada.
Espécie a estudar (SS) — A espécie que iremos colectar informações.
Etograma da espécie (SE) — Lista com os comportamentos normais da espécie.
Facial Action Coding System (FACS) — Um sistema de codificação baseado anatomicamente para a medição científica de movimentos faciais e expressões faciais em seres humanos. Pode ser feito para todas as espécies.
Ambiente presente (PE) — O registro de todos os estímulos ambientais em detalhe no momento que eu observo e que não seria possível planear no RD.
Comportamento Um (b1) — O primeiro comportamento apresentado na situação específica.
Erros de informação do comportamento (BED) — Todas as variações de comportamento derivadas das condições presentes.
Informação dos antecedentes do comportamento (BAD) — Todos os antecedentes passados que possam originar variações do comportamento apresentado.
Comportamento Dois (b2) — A soma de b1+BED+BAD
Comportamentos seguintes (b3, b4,…) — A soma dos comportamentos passados e dos novos comportamentos aobservados.

Observação Standard do ABCD:
1. SSF (SS+SE + FACS)
2. RD
3. OC
4. PE
5. Início da Observação
6. B1 (Registo de BED+BAD)
7. B1+PE=B2
8. B2 (Registo de BED+BAD)
9. Fim da observação
10. Seguir RD

Todos os detalhes específicos e adicionais estarão presentes com o progresso dos estudos. Todos os cientistas e treinadores de animais são muito bem-vindos para usar este sistema e melhorar conforme necessário. Todos os créditos das atualizações serão adicionados.







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Referências
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ABRANTES, R. (1997). Dog Language. Wakan Tanka

ABRANTES, R. (2011) Dominance—Making Sense of the Nonsense

BEAVER, V. Bonnie (2003). Feline Behavior: A Guide For Veterinarians, Second Edition. Elsevier.

BUDIANSKY, Stephen (1997). the Nature of Horses, Their Evolution, Intelligence and Behaviour. Weidenfeld & Nicolson.

CAEIRO, C.C, Waller, B.M, Burrows, A.M. (2013). CatFACS

CHANCE, P. (2008) Learning and Behavior. Wadsworth-Thomson Learning, Belmont, CA, 6th, ed.

DARWIN, C. (1899). The Expressions of the Emotions in Man and Animals. New York D. Appleton and Company.

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HOROWITZ, Alexandra. (2014). Domestic Dog, cognition and Behavior—The Scientific Study of Canis familiaris. Springer.

LORENZ, Konrad. (1981). The foundations of ethology.
Based on a translation of Vergleichende Verhaltensforschung, with revisions. Springer Science+Business Media New York.

MARTIN, P., Bateson, P. (2007). Measuring Behavior, An introductory guide. Cambridge University Press.

MCFARLAND, D. (1998). Animal Behaviour. Benjamin Cummings. 3rd ed.

MIKLÓSI, Ádám. (2007). Dog Behaviour, Evolution, and Cognition. Oxford University Press.

MORRIS, D. (2002). PeopleWatching. Vintage Books.

SANNI Somppi, Heini Törnqvist, Miiamaaria V. Kujala, Laura Hänninen, Christina M. Krause, Outi Vainio. Dogs Evaluate Threatening Facial Expressions by Their Biological Validity – Evidence from Gazing Patterns. PLOS ONE, 2016; 11 (1): e0143047 DOI: 10.1371/journal.pone.0143047

SCHIRMER A, Seow CS, & Penney TB (2013). Humans process dog and human facial affect in similar ways. PloS one, 8 (9) PMID: 24023954

SKINNER, B. F. (1966). The phylogeny and ontology of behavior, Science, 153,1205-1213.

STRICKLIN, W.R. (2000). ANSC 455 Applied Animal Behavior. Department of Animal and Avian Sciences.

SZÉKELY, T. (2010). Social Behaviour, Genes, Ecology and Evolution. Cambridge University Press.

WALLER, B.M, Caeiro, C., Peirce, K., Burrows, A.M, Kaminski, J. (2013). DogFACS

WATHAN J, Burrows AM, Waller BM, McComb K (2015). EquiFACS: The Equine Facial Action Coding System. PLoS ONE 10(8): e0131738. doi:10.1371/journal.pone.0131738

O respeito pela guia

English Version Here.

Por vezes as pessoas estão a segurar na trela do cão como se estivessem a proteger um milhão de dólares. Estamos a proteger mais do que isso: A vida de alguém que amamos. Por isso devemos ter a naturalidade e a genialidade de encarar a trela como um elo de comunicação natural e não como um material de controle egocêntrico. Eles agradecem.

Por muitos anos tenho trabalhado com muitos animais. O fato de eu não ter um cão ou um cão bem selecionado para demonstrar as minhas teorias, fez adaptar as minhas técnicas para um modelo tão padrão quanto possível, sendo eficaz com a maioria dos cães, com uma variação da técnica o menor possível.

É importante não criar más associações com a guia. — Foto: etologia.pt e etologi.dk.

Esse fato fez-me ter um grande respeito pela guia. Em primeiro lugar, porque é algo que não é natural para o cão, e em segundo lugar porque tudo na nossa vida que pode trazer-nos benefício requer pressão (desde apertar o botão no comando da televisão até ao abrir uma garrafa de água). Esta auto-educação é um desafio humano, e como tal requer dedicação e vontade.

Em 1997, eu era um jovem que ainda não pensava em treinar cães ou outras espécies. Mas tinha um cão chamado “Duck”. Lembro-me de uma vez quando passeava com ele na rua usei a expressão: Estás a sorrir. Não era ele, era a guia. Sem tensão, a guia faz um sorriso invejável. Quase 20 anos depois, lembrei-me dessa expressão numa das turmas de cães quando um dos participantes usou essa expressão.

Se a guia não está a ser usada, deve tocar no chão. — Foto: etologi.dk

Agora eu percebo que inconscientemente sempre defendi e treinei com a guia a sorrir com cães, gatos ou cavalos. Juntando todas as outras técnicas que desenvolvi ao longo dos anos, o resultado está no vídeo abaixo, que mostra a primeira sessão com que trabalhei com um labrador de 8 meses que puxa a guia e carece de foco no treino. E mais um vídeo com cavalos.

Para uma melhor compreensão dos vídeos, eu recomendo a leitura destes meus artigos:
Introdução ao sistema M&M
Sistema ABCD
A precisão dos sinais no treino animal









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A precisão dos sinais do treino animal

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O treino animal deve ser uma comunicação clara e precisa entre espécies. É importante respeitar e entender as espécies que estamos a treinar.

Este pequeno artigo demonstra como os sinais simples e precisos são efetivos com calma e respeito com cães.

Em primeiro, algumas informações básicas.

Comunicação canina
– Os cães comunicam maioritariamente por sinais visuais.
– Demonstram uma mímica e linguagem corporal sofisticada.
– São excelentes observadores da nossa linguagem corporal.

Comportamento
– Resposta a um estímulo.
– Influenciado pelo ambiente.
– Varia consoante as consequências.

Aprendizagem
– Processo de modificar comportamentos.
– Aprendizagem não-associativa.
– Aprendizagem associativa (Condicionamento clássico e operante).

Definições
– Um sinal é tudo o que intencionalmente causa a alteração do comportamento do receptor.
– Um indício (Cue) é tudo o que de forma não-intencional causa a alteração do comportamento do receptor.
– Um comando é um sinal que causa a alteração do comportamento do receptor de uma forma especifica sem variação ou com uma variação extremamente mínima.

Sobre os sinais:
– Um sinal tem um significado e uma forma.
– Bons sinais são eficazes.
– Maus sinais são ineficazes.
– Os sinais visuais são melhores quando o cão está relativamente perto de nós, e sinais sonoros tendem a ser melhores quando o cão está longe.

Numa forma prática:
– SMAF – Acrónimo de Signal Meaning and Form (Sinal, Significado e Forma).
– SMAF é uma linguagem científica para treino preciso criada pelo Dr. Roger Abrantes.
– Para cada técnica treinada, além de outros tópicos, precisamos de um Plano de Ação (P.O.A) com a descrição precisa dos sinais.

Exemplos de técnicas padrão:
Para simplificar, vou escrever uma única linha com a Técnica a ensinar => O significado do sinal => A forma do sinal.

Nome(Técnica) => Olha para mim(Significado) => Nome,som(Forma)

Senta(Técnica) => Coloca o traseiro no chão
E mantêm-o lá até receberes
outro sinal(Significado) => Senta,som + Senta,mão(Forma)

Deita(Técnica) => Coloca a barriga no chão
E mantêm-a lá até receberes
outro sinal(Significado) => Deita,som + Deita,mão(Forma)

Sim(Técnica) => Continua(Significado) => Sim,som(Forma)

Não(Skill) => Pára(Significado) => Não,som(Forma)

Técnicas Senta e Deita por um jovem treinador. 

Técnica Sim—Não com um cachorro de dois meses e meio. 

A importância de ter uma linguagem clara e simples.

Exemplos de precisão nos sinais.

Pode aprender mais sobre este assunto através dos cursos e livros sobre o assunto no Ethology Institute Cambridge em língua portuguesa — Dr. Roger Abrantes:
Manual SMAF
Os 20 Princípios que todos os treinadores de animais devem conhecer
Treino animal — A minha maneira







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Introdução ao sistema M&M

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Princípios do sistema M&M

– Sistema para concentrar toda a atenção da outra espécie em nós.
– Criar um equilíbrio durante o treino para capturar os comportamentos desejáveis e evitar os comportamentos indesejáveis.
– Aumentar a atenção do Ser Humano para todos os estímulos e aumentará a chance de evitá-los/preveni-los.
– Pode ser usado em todos os programas de treino e terapia com as adaptações individuais necessárias, porque podemos precisar de mais motivação/movimento do que movimento/motivação ou a ausência de um deles.
– Motivação e movimento podem ser afetados por fatores externos, procedimentos de treino condicionados e/ou antecipação.
– Motivação e movimento devem trabalhar com os instintos naturais da espécie e estar acima de todos os estímulos externos presentes.
– Motivação e movimento são sistematicamente testados diariamente em diferentes ambientes e espécies, pode ser ajustado a qualquer momento.

Modelo padrão para exemplificar o sistema.

– 0 a 100 é apenas um exemplo de percentagem de intensidade.
– 1 a 5 e separações verticais são exemplos de estágios possíveis.
– A linha verde é o movimento (A). A pequena linha vertical preta anexada é a margem de erro (a) que eu chamo de Chance de falha.
– A margem de erro ou chance de falha é a margem que temos para controlar a motivação sem muita variação de movimento. Em todas as pesquisas realizadas durante vários tipos de treino constatei que o movimento tem mais influência na motivação do que o oposto.
– A linha azul é a motivação (B). Os pontos verdes (b) são a variação de motivação.
– Entre os traços verdes temos o comportamento desejável (D).
– Entre os traços verde e vermelho temos a influência de fatores externos que podem aumentar ou diminuir a probabilidade de comportamento desejável ou indesejável (I).
– Após os traços vermelhos temos os comportamentos indesejáveis (U).

Estágios

Primeiro estágio- Motivação Baixa e Movimento Baixo = Nenhum comportamento desejável.

Segundo estágio- Aumento do movimento que origina o aumento da motivação, mas se aumentarmos muito a motivação, o movimento provavelmente não segue a motivação, por isso precisamos reduzir o movimento para ajudar a reduzir a motivação.

Terceiro estágio- Estabilização do M&M.

Quarto estágio- Ao aumentar o movimento temos o aumento da motivação, mas se temos muito movimento a motivação provavelmente não segue o movimento e começamos a perder a motivação do animal, que originará um comportamento indesejável.

Quinta etapa- Com a redução do movimento e com o aumento da motivação, podemos ter um sistema de treinamento de equilíbrio.

Mais informações, exemplos e demonstrações práticas são ministradas nos Workshops “Teach without Speech”







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O animal humano social

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Há cerca de 20.000 anos atrás, os humanos já eram caçadores natos por natureza. Nesta transição da era glaciar e do velho mundo para o novo mundo, as características dos nossos antepassados não diferem muito de nós, porque no ambiente inserido já tinham ferramentas de caça bem desenvolvidas, assim como abrigos e vestimentas que confirmam já a rapidez de adaptação e sobrevivência.

Os humanos viviam em tribos, pequenas unidades que sobreviviam da caça e da partilha dos restos de alimentos colhidos. Com as progressivas mudanças do humano, tanto físico, quanto comportamental, como mental, a obtenção de alimentos atingiu outro patamar: A agricultura. O “velho” caçador iniciou outra mudança, com uma cooperação mais aprofundada, pois além do cultivo o humano iniciou-se pouco depois na domesticação de ovelhas, cabras e outros animais, certamente cativados pelas plantações criadas. Os cavalos começaram a ser utilizados na agricultura e transporte (posteriormente como equipamento das guerras humanas), os cães utilizados na caça e proteção das tribos.

Esta progressão na agricultura veio fazer com que as tribos, antes mobilizadas para as exaustivas e planeadas caçadas como forma de obter alimento, agora conseguissem gerar o seu próprio alimento em grandes proporções, dando espaço a pequenas novas tarefas que anteriormente não eram exploradas.

Entramos assim na chamada idade da especialização, onde o homem caçador e agora agricultor, inicia uma “revolução urbana”, a necessidade de expansão e divisão de tarefas veio lentamente criar uma organização interpessoal localizada, nascendo assim as cidades (supertribos).

O desenvolvimento destas cidades e da sua população (entre 7000 e 20000 habitantes inicialmente), assim como a invenção da escrita que veio fazer com que existissem comunicações e coordenações intercidades, fez com que o humano ficasse cada vez mais reduzido a um número (denominado membro da sociedade) e a enfrentar uma nova etapa da sua evolução: a adaptação a um Boom de vários indivíduos, imposições e regras de sociedade necessárias para a organização das mesmas, e a necessidade de uma maior relação interpessoal, que biologicamente não estava preparado, o que levou a vários conflitos, que ao mesmo tempo estavam a definir os chefes dos subordinados fazendo destas supertribos alguns crescimentos abruptos que deram origem a grupos de superchefes e supersubordinados.

Todas estas condições sociais criaram uma “atmosfera artificial”, ou seja, controles e hierarquias onde já se colocavam conceitos morais e éticos. Com a criação de leis, o homem ficou proibido de fazer o que os instintos lhe diziam, basicamente podemos afirmar que se rendeu a uma espécie de paradoxo criado por ele mesmo, com hábitos, culturas e língua específica em cada supertribo, tornando-se assim um ser “diferente” caso fosse excluído dela, afinal cada supertribo tinha características específicas que rapidamente se verificavam em contactos fora dela. Estas identidades sociais de língua, cultura, religião alterou bastante o comportamento social do homem devido às várias mudanças e ajustes nas supertribos, aumentando assim a complexidade na adaptação da nossa espécie.

Apesar de todas as desvantagens deste Boom social, reparamos que o humano adaptou-se de várias maneiras, continuando a utilizar o seu instinto exploratório em várias áreas sociais, quase como que uma resposta de sobrevivência.

Temos assim a criatividade humana a ser colocada em prática nas sociedades, por exemplo jardins, arte arquitetônica, entre outras sequências de acontecimentos que foram (e estão ainda actualmente) permitindo ao humano adaptar-se ao meio. Apesar do cérebro humano ser apenas 2% da nossa massa corporal, consome cerca de 25% de toda a nossa energia.

Esta adaptação porém, fez com que o humano almejasse um maior poder e controlo em relação aos outros, hierarquias e grupos eram disputados como nas lutas da natureza, mas desta vez adaptadas a um “padrão social”, chamado dos 10 mandamentos do poder (Morris 1969):

– Ostentar claramente as insígnias, as posturas e os gestos de dominador;

– Em momentos de rivalidade activa, ameaçar agressivamente os subordinados;

– Em momentos de ameaça física, o chefe (ou os seus delegados) tem de ser forçosamente capaz de subjugar os subordinados;

– Se a ameaça se dirige mais aos miolos que aos músculos, o chefe deve ser capaz de superar os subordinados;

– Suprimir as querelas que surgem entre os subordinados;

– Recompensar os subalternos imediatos, permitindo-lhes gozar os benefícios da sua posição elevada;

– Proteger os membros mais fracos do grupo de todas as perseguições indevidas;

– Tomar decisões referentes às actividades sociais do grupo;

– De tempos a tempos, reforçar a confiança dos subalternos mais ínfimos

– Tomar sempre a iniciativa, ao repelir ameaças ou ataques provenientes do exterior.

Todos estes mandamentos regem o poder. Nada mais vemos do que todos os instintos dominantes de uma espécie selvagem que age por instintos, adaptada a uma grande evolução social.

Contudo, a complexidade desta evolução do comportamento social dificultou bastante a vida aos chefes, pelo facto de ter criado um maior risco nas suas atitudes e comportamentos dominantes perante as situações, criando assim as supersituações, resultado da responsabilidade/poder que o chefe tem na gestão dos subalternos e de toda a supertribo.

Só que a própria necessidade de organização criou uma série de de “invenções arbitrárias” entre os grupos e subgrupos, proporcionando desta forma uma hierarquia social mais especializada e competitiva, começando a criar classes sociais distintas, que com o tempo ficaram mais fortes devido ao próprio desenvolvimento da educação e adaptação, onde as classes etárias começaram a ter ênfase neste velho sistema de dominação e subordinação através da própria meritocracia.

As nossas interações diádicas quotidianas estão pautadas por inúmeros gestos apaziguadores e/ou propiciatórios, lúdico agonísticos, com a função de apaziguar os outros e tornar possível a vida gregária de seres altamente agressivos, desconfiados e informados para um comportamento de hierarquia. As hierarquias são a base saudável entre uma espécie, que nada tem a ver com imposição ou agressão, mas como um meio de manter a homeostasia social.

Recomendações de pesquisa: Ratos de Rosenthal; Dilema do prisioneiro; Princípio da Savana.

Entramos assim numa luta de dominação social. A retenção de poder e influência perante os subordinados através de variadas formas veio permitir que as situações e supersituações fossem controladas de uma maneira mais manipuladora e ostentiva.

Esta caça-situações veio mudar o paradigma de dominação e subordinação a altos níveis, principalmente nas grandes áreas urbanas, pela tensão permanente e insistente perante os subordinados, explicando assim novos comportamentos (abordando principalmente agressão, agressão direccionada e auto-agressão) do homem na sociedade e da sua constante interação e adaptação.

Biologicamente, o humano defende de forma inata ele próprio, a família e a tribo onde está inserido. Desta forma, em caso de ameaça, a defesa do grupo é intrínseca, e no caso social, temos dentro do grupo unidades para tal efeito de forma permanente: Polícias, militares ou outra força de proteção do grupo.

Dentro destas unidades, o papel dos chefes e superchefes, num contexto social mais desenvolvido e de certa forma menos “humano”, ou seja, os chefes ou superchefes já não precisam mostrar a cara ou aparecer, nem tão pouco conhecer os homens, denominados “especialistas”, que enviará em caso de combate.

É dentro destes contextos de “nós” e “outros” que se regem os grupos de dentro e os grupos de fora, sendo aliás uma justificativa muito comum para actos mais violentos entre grupos, porque em qualquer dos lados eles estarão a defender o seu grupo.

Contudo, as guerras dentro dos próprios grupos de dentro é um assunto a referir. Os subgrupos que são criados por serem “diferentes” do restante grupo. Não diferentes dos hábitos, culturas ou língua, mas diferentes em opinião, tolerância racial e poder. São as diferentes classes dentro do grupo que criam os subgrupos onde entre si criam os próprios ataques, revoluções ou outros tipos de intervenção.

São as distinções entre os grupos de dentro e os grupos de fora que podem justificar por exemplo a escravatura, com uma grande luta de opiniões entre os monogenistas e os poligenistas. A idiossincrasia ainda hoje é realidade.
Todos os conflitos dos subgrupos e o seu grupo pode também ser explicado pelo próprio desenvolvimento do comportamento social, e de um controlo racional e inteligente das questões da civilização.

Desmond Morris descreve as condições sobre a forma para melhor se analisar e questionar as condições que nos preparam de forma eficiente para a violência entre grupos:

– Desenvolvimento de territórios humanos fixos;

– Dilatação das tribos em supertribos lotadas;

– Invenção de armas que matam à distância;

– Retirada dos chefes das frentes de batalha;

– Criação de uma classe de matadores profissionais;

– Crescimento de desigualdades tecnológicas entre os grupos;

– Aumento de agressão de situação frustrada no seio dos grupos;

– As exigências das rivalidades de situação entre os chefes de grupos diferentes;

– Perda de identidade social no seio das supertribos;

– Exploração do instinto cooperador para auxiliar os amigos atacados.

Estas condições leva-nos às evidências da superpopulação na luta por situações, a nossa espécie mata-se a ela própria por razões que ela própria desconhece. Contudo, é evidente que os animais nos zoológicos superpopulosos também podem ter esse comportamento.

As condições para este tipo de comportamento é banalizado no nosso dia a dia como civilização, tendo como exemplo os abortos, homicídios, suicídios e outras situações que levam a nossa espécie quase como que, a nível ecológico, a um controlo populacional.

Desde o humano primitivo até aos dias de hoje, a população aumentou mais de 500 vezes, números astronómicos se comparados com outras espécies, o que nos leva a reflectir sobre a necessidade desse controlo populacional.

Estas nossas lutas intraespécie fizeram com que o empenhamento ideológico de alguns autores manipulasse o sentido ambíguo e/ou inequívoco de certos termos da etologia que foram apropriados e redefinidos com a perda do seu sentido tradicional para a sociologia humana. Palavras como ‘hierarquia’, ‘dominância’, ‘propriedade’ ou ‘território’ foram extrapoladas da biologia para a cultura, acentuando o caracter errôneo e o antropomorfismo e antropocentrismo, colocando em causa as suas funções, evolução e ritualizacao ulterior. Não melhor, outros termos aparecem para que substituam outros, gerando ainda mais humanização, confusão e incoerência.

As outras espécies foram assim condenadas a etiquetas e a fenómenos errôneos do seu comportamento explicados pela ignorância humana, suposições e falácias que estão a ser passadas de geração em geração sem um fundamento lógico nas suas palavras a não ser a necessidade de marcação de presença no momento para explicar o que é socialmente normal. A ciência é bem clara na diferença do zoosemiotico na comunicação intra espécie (intragrupal / intergrupal) e interespécie. Todos os estudos que comprovam esta afirmação expandiram a análise aos primatas e outras espécies.

O uso de termos como “Você é um burro”, prova do antropomorfismo criado em prol na insignificância dos outros seres, criando assim aos humanos jovens um estereótipo sobre a nossa supremacia em relação às outras espécies. Os humanos desde cedo mentalizam as crianças sobre os sentimentos dos animais de zoo ou outras situações similares, dando uma falsa realidade das necessidades das outras espécies e uma sensação de normalidade e bem-estar.

A espécie humana teve um desenvolvimento muito rápido em relação às outras espécies. De habitats naturais passou para um mundo forçosamente artificial e gigantesco, alterando não só o modo de interações e vivência, como também de costumes e outros conjuntos de sobrevivência. Será necessário demonstrar o quanto forçoso foi para a espécie humana ter de adaptar-se de uma forma tão rápida à pressão que a mudança proporcionou.

Mas será esse controlo algo “humano”? Será que o facto de actualmente evitarmos a guerra com guerra ou com a ameaça de utilização de tecnologia nuclear ou química também influencia este comportamento?

Estamos a evoluir e de certa forma a sermos protegidos pelo próprio medo, os grupos de fora por vezes misturam-se com os grupos de dentro, criando os subgrupos dentro dos grupos, a questão mais alarmante é até quando haverá essa diferença, e se caso persista como lidaremos com ela de forma “humana”, sem o uso de tecnologia que nos poderá simplesmente dizimar do planeta? Qual o modelo de mensuração para que nós sejamos superiores? Que benefícios a nível de espécie nos faz racionais se vivemos de momento numa realidade virtual? Qual o conceito para tal? Como podemos ser racionais se rapidamente somos condenados às necessidades da sociedade que vivemos?

Os humanos procuram a sua silhueta social. As redes sociais abriram essa porta de oportunidade aos nossos instintos mais primitivos, permitindo assim a criação de grupos, de estados paranóides, desorganizados e incoerentes, delírios sistematizados, onde as lutas constantes apenas são as lutas territoriais dos nossos ancestrais agora com a defesa de um escudo virtual que facilita uma espécie de mimetismo social.

A cultura é a adaptação biológica do género humano que possui propriedades ou características chave que estão sujeitas ao mesmo algoritmo evolutivo, variação seletiva, retenção, transmissão. É baseada na natureza humana e constrangia por ela. A cultura e a sociedade são reciprocamente dependentes enquanto unidades funcionais.

A nossa sociedade (ou o nosso grupo, ou o recinto antropológico), tem vindo a aprimorar alguns instintos primitivos da nossa espécie, sobretudo o da curiosidade, a necessidade de procurar, encontrar e verificar. O exemplo mais comum é a crítica e a aversão à perda, porque prestamos mais atenção ao negativo pelo facto de ser uma sinalização instintiva do perigo.

O “Bicho-humano moderno” ainda pode usar e abusar dessa “liberdade”, mas será que as futuras gerações de supertribos conseguirão se adequar e sobretudo enfrentar tamanha amplitude do que estamos a fazer. Tudo conjugado, entramos no retroativo da seleção natural (Seleção natural – Seleção social – Seleção sexual baseada na Seleção social).

O dominicano nas sociedades humanas passou evolutivamente da potência sexual e violência para a bioliderança, com uma tendência a evoluir mais com o auxílio das ciências sociais em conjunto com a psicologia evolucionista.

Os humanos, cães e cavalos, tiveram uma herança cruel dos nossos antepassados. Nós vivemos em jaulas de cimento manipulados pelos chefes desta super-tribo. Eles, estão sujeitos às culturas em constante mudança de cada tribo, cujo único dever é obedecerem aos nossos caprichos. Mas todos temos algo em comum: Estamos assustados. Nós podemos não ter essa noção, talvez por isso devêssemos prestar-lhes mais atenção e compreendermos que estamos juntos.

Deveríamos utilizar a compreensão e respeito interespécie e entre eles como lição ao nosso relacionamento intraespécie e sermos mais assimétricos e coerentes.

O “Bicho-humano moderno” foi obrigado a mudar para a sua própria sobrevivência. Ficaríamos surpreendidos de como continuamos a ser um caçador tribal primitivo, mal equipado para enfrentar os riscos sociais de uma comunidade impessoal.

O antigo caçador primitivo usa outra vestimenta, outra arma e principalmente outro paradigma: Sobreviver nesta selva de cimento.

Imagem principal: “Já estamos a desligar da nossa espécie com tanta evolução ainda necessária” — Roberto Barata







Este artigo seria publicado num livro com fins comerciais. Mas, queremos abranger mais profissionais e famílias com informações atualizadas e reais, dessa forma o conteúdo está a ser divulgado gratuitamente. Se acredita neste projeto, faça uma contribuição voluntária à sua escolha para que possamos continuar com as publicações gratuitas. Se for uma empresa e pretende ter um papel ativo neste projeto, contate-nos.


Referências bibliográficas

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SCOTT, J. P. (1976). Violence and social Disaggregation. Aggressive Behavior, 1, 235-260.

Teach without Speech – Introdução

English Version here

O projeto “Teach without Speech” é um dos desafios mais difíceis que já tive em todo o meu percurso profissional. Levou-me a lembranças que eu já pensava estarem bem esquecidas. Qual o modelo de mensuração eu teria de fazer para partilhar o conhecimento que fui adquirindo ao longo de vários sacrifícios pessoais e profissionais?

Desde 2004, ainda antes de muitos programas de televisão e do Youtube para ajudar a formar treinadores que eu a nível particular iniciei a dar aulas de treino sem nenhuma formação específica. Li um pouco, e iniciei. Apenas senti que tinha de iniciar. Uma irresponsabilidade na altura na minha visão actual, mas tinha que começar por algum lado.

Por natureza sou uma pessoa calada e primorizo o meu espaço pessoal, certamente por isso sempre tentei comunicar com os animais a falar o mínimo possível e a respeitar o seu espaço. São os princípios básicos da natureza. Ao vermos os animais no seu ambiente natural, reparamos que os sons são utilizados quando estritamente necessários, existindo uma prioridade à linguagem corporal e o uso do próprio ambiente para uma clara comunicação. Utilizava a comida apenas como uma ferramenta e não como algo fundamental para o treino, não estabeleço relações baseadas em comida. Complementava com um plano de treino que me fazia ter o número correto de petiscos para o número de repetições, não queria criar condicionamentos a lugares específicos do meu corpo. Após estes anos, reparo que utilizo a mesma ou ainda menos quantidade de comida do que antes em contraste com as novas gerações.

Entretanto, nesse ano entrei na Força aérea Portuguesa na especialidade de Polícia Aérea e sub-especialidade na cinotecnia para guarda e defesa. Foram um dos melhores anos da minha vida. Não só a nível profissional como pessoal. Profissional devido ao espírito de camaradagem e valores passados pelos “mais velhos”, pessoal porque foi uma transição abrupta de um “berço de ouro” passado para realidade da vida.

Sempre continuei a estudar e a valorizar-me no ponto de vista profissional transversalmente aos ensinamentos militares e de outros locais onde trabalhei, porque sempre acreditei que seria com a prática que mudaríamos a teoria, mas nalguns regimes nem sempre isso é permitido.

Após várias frustrações, desilusões e rebaixamentos, arrisquei toda a minha vida pessoal e profissional numa última oportunidade de continuar a fazer o que sempre gostei. Esta mudança permitiu-me valorizar quem acreditava em mim, investir no que realmente interessava na vida e colocar de parte tudo aquilo que apenas era um peso desnecessário. Resumi a minha vida a duas bagagens de mão e viajei para a Dinamarca para aprofundar os meus conhecimentos, ter a liberdade necessária para seguir os meus princípios e intuição e ao mesmo tempo trabalhar com o Ethology Institute e com o etologi.dk. Nunca haverão palavras para descrever o agradecimento da confiança e profissionalismo do Dr. Roger Abrantes, Tilde Detz Jensen e de toda a equipa do Ethology Institute e etologi.dk. Foi no Ethology Institute que encontrei as respostas científicas ao que eu já fazia, sempre fui um estudante do instituto e não sabia. Nem sempre as melhores decisões são as mais fáceis. Escute e confie na sua intuição, é a sua essência a falar.

Durante esse tempo até actualmente, muitos cães e pessoas diariamente cruzaram a minha vida. Várias situações infelizmente não consegui a colaboração necessária das famílias, outras sinto hoje que foi devido à minha limitação de conhecimentos. Não sabemos tudo, não conseguimos saber tudo.

Neste meio tempo, formei-me numa nova área que suscitou-me bastante interesse e é nela que atualmente dedico-me e integro-a a 100% no meu trabalho: Antrozoologia.

A Antrozoologia ou Human—Animal Studies em linhas gerais é o estudo da interação entre os humanos e os não-humanos. Abrange uma considerável diversidade de áreas de estudo, onde destaco: etologia, antropologia, zoologia, biologia, psicologia comparativa, sociologia e primatologia. Este é o meu mundo, da complexidade, dos paradoxos, enfim, o mundo humano.

Este certamente é o primeiro projeto no mundo que vai abordar esta área integrada no treino animal, complementado pela codificação facial, micro-expressões dos animais num contexto científico e por um conjunto de técnicas diárias específicas que podem ser utilizadas por todos.

Todo este aprendizado até hoje faz com que esta minha pequena visão possa de certa forma auxiliar os vários profissionais da área, quem está a começar a actividade, e as famílias com animais domésticos. Elas serão os treinadores dos futuros.

O nosso papel futuro será apenas de coaching, contrariando a antiga moda de treino de animais “chave na mão”. Sem a presença das famílias, cortamos o elo importante desta maravilhosa comunicação. A sociedade está a ficar mais curiosa e participativa na educação dos seus animais, algo fabuloso e evolutivo, que vai fazer com que os coach tenham uma sólida formação não somente em comportamento e aprendizagem animal, mas também em filosofia, etologia e na área mais recente: Antrozoologia. Necessitamos conhecermo-nos como animais primitivos antes de tentar conhecer outras espécies.

O papel de coach na educação social dos animais e das suas famílias pode ser um trabalho muito ingrato para alguns, porque não traz troféus, taças e na maioria das vezes reconhecimento. Por outro lado também não serão contentores de diplomas, demonstrações com cães próprios ou previamente selecionados ou com textos ou palavras socialmente aceites. Com esta mudança de paradigma, esses objectos humanos vão finalmente confirmar serem assuntos paralelos no tratamento e treino de seres vivos.

Estamos a trabalhar com o ponto mais sensível de uma sociedade: a sua mentalidade. Fazer crer a uma família que ele precisa mudar algumas rotinas nem sempre é fácil, entramos num paradoxo do “ele é um cão, tem de ser tratado como tal”, mas “não faço isso porque ele é como um filho para mim”.

Nos tempos atuais, a prioridade não é conhecermos as outras espécies, mas sim conhecermo-nos a nós próprios. A egoísta necessidade individual de presença na sociedade está a levar a um ambiente artificial no nosso habitat para todas as espécies, falácias moralísticas estão a embelezar palavras socialmente aceites e a desviá-las da realidade dos seus conceitos e aplicações seja por marketing ou simples ignorância. A necessidade da mudança está na evolução do nosso real conhecimento e não no encobrimento da realidade pela falta do mesmo. Não estamos a ajudá-las, estamos a médio prazo a extingui-las porque elas estão a sair da sua essência e a deixar de ser o que agora defendemos que elas são.

A comunicação interespecífica é muito mais do que entendimento, é uma viagem às nossas origens quando a sentimos profundamente sem as barreiras impostas pelos humanos.

Mais uma vez tenho a certeza que estes conflitos internos, as noites mal dormidas com a preocupação de um ou outro caso, de diariamente entender a falta de comunicação que existem não só entre pessoas e cães como também entre pessoas e pessoas, foi uma razão para a origem deste projeto.

A minha opinião em relação ao trabalho dos outros é de respeito, porque respeito e concordância segue o mesmo paralelismo da Ciência vs moralismo ou ética. Afinal, ninguém é igual, o que é maravilhoso. Não tente agradar em pensamentos ou ideologias, as pessoas já têm os seus interesses e de pouco valerá a sua sinceridade. Não se iluda com as ilusões dos outros.

O projeto “Teach without Speech” é o resultado de todos estes anos de estudo e experiência prática diária. Não pode ser considerado um método, mas sim um sistema de combinação de várias formas de abordagem no treino animal, adaptado a todas as espécies, embora eu faça mais ênfase a cães, gatos e cavalos, os quais trabalho diariamente. Não é apenas um projeto de conhecimento científico com os últimos estudos sobre as matérias faladas. É também uma reflexão que devemos fazer sobre os “oitos e oitentas” em que vivemos atualmente. A tentativa de muitos de lutar contra o antropomorfismo está a criar uma humanização incoerente sem que as pessoas o entendam.

De momento existe acima de tudo a necessidade da harmonia e equilíbrio entre espécies que vivem assustadas neste zoo humano.

O projeto “Teach without Speech” vai muito além de uma técnica ensinada. É o respeito e compreensão interespecífica na sua essência.

O projeto “Teach without Speech” não vai ensinar a treinar robôs, vai levar o leitor a uma introspecção real do que somos e de como agimos, e só após essa reflexão conseguiremos comunicar com outras espécies sem falácias ou imposições, apenas com conhecimento, compreensão e respeito.

Este projeto vai ter artigos que abordam alguns assuntos mais generalistas dos meus estudos e formas que criei para simplificar o entendimento no treino, e são complementados por workshops práticos, onde tenho a oportunidade de demonstrar e passar com mais detalhe e adaptação individual todo o sistema do “Teach without Speech” para as três espécies, tem sido bastante prazeroso trabalhar com particulares e empresas por todo o mundo, conhecer as culturas, respeitá-las e uni-las a toda esta matriz. Talvez com este início possamos no futuro estudar cada cultura social e fazer as adaptações necessárias.

Faço o convite e o saudável desafio para ler cada artigo que será publicado com a atenção que eles merecem e que nós necessitamos. Nosce te ipsum. Carpe Diem!

København, 2 de Junho de 2016







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